segunda-feira, maio 29, 2006

Templo do Amor

With the fire from the fireworks up above
With a gun for a lover and a shot for the pain
You run for cover in the temple of love
I shine like thunder cry like rain
And the temple grows old and strong
But the wind blows longer cold and long
And the temple of love will fall before
This black wind calls my name to you no more

(Com o fogo dos fogos de artifícios acima/ Com uma arma para um amante e um tiro para a dor/ Você busca abrigo no templo do amor/ Eu brilho como trovão, choro com chuva/ E o templo se torna velho e forte/ Mas os ventos sopram frios e duradouros/ E o templo do amor cairá antes/ Que esse vento negro não leve mais meu nome para você)

Aquilo mais difícil de matar é o que jaz no local mais profundo de um ser. Sentimentos.

E precisava matá-los, pois precisava viver...

Tentou refugiar-se no templo do amor, mas este é uma quimera... Como refugiar-se em algo que não existe? Como refugiar-se em algo criado apenas por palavras doces, olhares que a procuravam pelos corredores, a insistência de estar a seu lado? Como não sucumbir a algo que parecia tão óbvio e certo?

Os fogos de artifício estouravam sobre sua cabeça, mas sentia-se o mais sozinho, abandonado e miserável dos seres. A procissão andava, admirava-se por ver a pé das pessoas pelas ruas, mas a fé que mais desejava ter provara-se impossível.

Não era cega, soube muito bem ler os sinais de indiferença, de que não era um sentimento mútuo. Na verdade, soube ler naquelas palavras doces a hesitação que carregavam, que jamais seriam levadas a cabo. O motivo? Não cabia a ela saber, talvez apenas intuí-los. Mas se não tinha a intenção de amá-la, por que ele lançara os alicerces daquele templo?

Talvez existisse alguma bala, algum remédio, alguma mágica capaz de exterminar sentimentos... Era uma esperança vã, mas podia haver uma solução miraculosa para seu caso. Sabia do fracasso, mas ainda tinha as esperanças das palavras doces, de que ele diria que tudo não passara de um mal-entendido e podiam ficar juntos.

Mas sabia que isso jamais aconteceria.

Imaginou que pudessem se abrigar juntos no templo do amor, que pudessem caminhar de mãos dadas por um caminho de pedras e espinhos... Sorria sarcasticamente, pensando em todas as ilusões que alimentara. Ilusões vazias, podia ver...

Um amor verdadeiro poderia esperar para sempre, ele dissera. Mas como seria, se ele nunca lhe dera a liberdade para amá-lo tão profundamente? Aquele que, nas entrelinhas, dissera-lhe que a vida era curta e o amor sempre acabava pela manhã?

Seu chão tinha desaparecido, não tinha suporte, tudo parecia apenas uma realidade vazia e cruel. Sonhos eram apenas poeira, a noite eterna se estendia sobre si, a esperança estava morta...

O templo do amor, onde sonhara se abrigar, tinha desmoronado.

***

Pessoal. Mais do que isso, personalíssimo.
Mas necessário...

A música é Temple of Love, Sisters of Mercy.

3 comentários:

Zander [] disse...

Muito bonito, mesmo. Muito triste também... Mas, como eu já te disse, o belo também pode ser triste.
Parabéns. É muito bom esse seu texto "semi-biográfico".
Bjz.

Piaza disse...

Muito bonito, talvez o melhor texto seu que já tenha lido, a parcela bográfica o torna mais triste e emocionante ainda.

Lisbon disse...

sisters of mercy sao mt fixes ;)