terça-feira, julho 25, 2006

Tróia e Olhos Negros

Meninas que se refugiam em bibliotecas não parecem ser as pessoas mais interessantes do mundo. Pelo menos é o que a maioria das pessoas acha – ou principalmente elas mesmas acreditam piamente. Afinal, ninguém costuma prestar atenção naquelas que vivem abraçadas a livros, entre prateleiras e cheirando a mofo. As outras meninas costumam ser milhares de vezes mais interessantes.

Pelo menos, atrás de meus óculos e meus livros, minha linha de pensamento é essa. Posso ver fadas e brincar com elas, além de tocar estrelas com a mão só para descobrir que elas são fofinhas e possuem cinco pontas. Afinal, ter seus próprios mundos é bem interessante, assim como passear por ele enquanto as pessoas ao redor parecem presas na realidade comum.

E eu sentada e encolhida pensando em meus mundos... Foi quando ele apareceu. O dono dos olhos negros! O coração palpitava, mas o que uma garota de livros teria de interessante para oferecer?

- No que está pensando agora? Parece tão concentrada...

Ah! Ele falou comigo!

- Tróia! – Foi a primeira coisa que meus lábios balbuciaram.

Os olhos negros me fitaram com espanto. Ah, por que fui abrir minha boca! Se minha fama de maluca já é grande, imagine então ouvir uma resposta tão... abstrata! O que ele deve estar pensando de mim agora?

Não que esteja falando uma mentira... Adoraria conhecer Tróia, talvez seja meu reino imaginário predileto. Como seria ver de perto Zeus e Atena? Ou mesmo a armadura de Aquiles resplandecer? Talvez ver os raios de sol brilharem no mar azul coalhado de navios, talvez passear pelas ruas e rezar em templos de mármore.

Talvez me perder nos meandros de minha imaginação.

E perder junto minha grande chance! O dono dos olhos brilhantes depois de ouvir uma frase dessas não tentaria conversar comigo de novo! E não tenho coragem para iniciar uma conversa com ele. Minhas pernas tremem só de pôr os olhos nele, o que dizer de ter um diálogo minimamente inteligente! E quantos diálogos imaginários criei e treinei imaginando a hipótese de que ele viesse falar comigo! Para na hora que meu sonho finalmente se realiza balbuciar algo sem o menos nexo lógico!

- Ora, mas eu sempre torci para Heitor... – Ele respondeu sorrindo.

Retribuí o sorriso numa surpresa feliz. Será que poderia falar de Tróia e todos os meus mundos com ele, será que poderia partilhá-los com alguém? Será que alguém não me acharia maluca por meus sonhos e devaneios?

Bom, só tinha uma maneira de saber...

E talvez meninas de bibliotecas pudessem até mesmo ser enxergadas por aqueles olhos tão lindos...

***

Ficou meio bobinho, mas espero passar a idéia do texto.
É idéia antiga, mas ganhou mais força ultimamente.

Bom, faz quase um ano que mantenho esse blog, com alguns hiatos. Que esses hiatos não mais existam. Porque não fiz um blog para genialidade, fiz para não ser refém de algo maldito chamado "inspiração".

Inspiração é o de menos, o que existe é treino, paciência, perseverança.
E são essas as qualidades que desejo como escritora. Hoje é nosso dia, não é mesmo, 25/07! Feliz dia do escritor pra quem se envereda por essa filosofia de vida, então...

E tentando evitar hiatos.

2 comentários:

Piaza disse...

Bobinho? Não, mas reconheço que tá muito meigo (aaaaaaaaaaahhhhhhh!).Mas tá tão bom quan to todos os outros.

Renan disse...

Tróia??? Eu morro de vontade de conhecer as Planícies de Rohan... alguns ents, quem sabe?! Depois talvez Valinor(aí já é querer demais)...

Meninas de biblioteca? Livros? Eu me pergunto o que há de DESinteressante nelas!

Um dia eu ainda te convido pra dar uma voltinha no meu mundo... talvez você ache interessante... ou não.

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Falando sério, ficou muito massa esse conto! Eu não diria que ele está "bobinho"...romântico talvez, mas não bobinho.

bjo!